Agosto é o mês dos pais. Em homenagem a passagem do dia deles, sempre no segundo domingo do mês (neste ano será no dia 12, não esqueçam!), faremos uma série de postagens sobre os novos pais, a importância deles na educação dos filhos, atividades para fazer com os pequenos…
Hoje, o tema é as novas relações familiares. Aquele pai de antigamente, temido, repressor e totalitário, não existe mais. Os pais de hoje são muito mais amor e compreensão com os pequenos. Veja o que a psicóloga e professora da USP Belinda Mandelbaum falou sobre essa nova relação para o site Educar Para Crescer.
O que mudou no papel do pai nas últimas gerações?
“No modelo familiar tradicional, o pai era o detentor do patrimônio, ele também tinha na casa um lugar de centralidade, autoridade, não só econômica como moral e na educação dos filhos. Houve mudanças sociais muito importantes no decorrer do século XX que causaram uma reviravolta no modelo familiar tradicional que resultou em uma fragilização do papel desse homem. A hierarquia familiar e os papéis do homem e da mulher sofreram uma transformação. Sem dúvida, o pai não é mais uma autoridade clara, definida, aquele que detém a verdade sobre tudo, sobre o que pode ou o que não pode.”
O que é função materna e função paterna?
“De maneira bem genérica, a função materna é a do acolhimento, do cuidado, da contenção das angústias do filho. Quem exerce a função materna pode atender às necessidades da criança e promover uma situação de conforto e bem estar. Toda essa vivência é incorporada pela criança que desenvolve a sensação de segurança, de confiança. Já a função paterna, em linhas bem gerais, envolve tanto a função de acolhimento quanto a imposição de limites e regras claras. A criança precisa saber conter seus impulsos, voracidade, desejos e ansiedade, para a sua própria segurança. Todo esse cuidado é muito importante para o desenvolvimento da criança.”
Qual o risco de uma educação sem a função paterna?
“Isso que chamamos, de maneira genérica, de função paterna é responsável pela introjeção do conjunto de leis e regras morais que preparam a criança para a vida em sociedade. Na ausência de uma figura paterna em casa, as crianças podem acabar buscando essa referência em uma figura idealizada. A assimilação dessas regras que constituem a identidade moral das pessoas tinham características muito mais humanas quando o pai com o qual a criança se identificava estava em casa. Esse pai podia ser visto com todas as suas competências e falhas, era uma figura mais real. Com a ausência desse pai, as crianças correm o risco de se identificar demais com os ídolos da mídia, os jogadores de futebol, a celebridade da vez, e, na pior das hipóteses, com um grande líder político. Quando escolhemos uma pessoa dessas como exemplo o que conhecemos realmente como figura humana é uma criação midiática. O que torna difícil pras crianças distinguirem os verdadeiros limites e possibilidades do ser humano.”
O que os pais podem fazer pra compreender melhor os novos papéis?
“É fundamental que as famílias trabalhem essas questões conjuntamente. É preciso estimular a reflexão sobre o que é ser pai e o que é ser mãe. Pensar sobre o que representamos para nossos filhos e quais as nossas responsabilidades no desenvolvimento deles. E levar essas discussões para todos dentro da família.”
